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MARÉ ALTA

porque a liberdade está a passar por aqui

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Em defesa da memória e do futuro de Portugal

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Recentemente jantei no interior de monumentos nacionais. Um jantar num castelo, o Castelo das Sombras, em Feldkirch, e num palácio, o Palácio de Hohenems, perto de Dornbirn. Pelos nomes é percetível que são monumentos nacionais, mas não de Portugal.

Já no fim do segundo jantar, perguntei aos residentes locais se não se incomodavam pelo facto de se estar a usar monumentos históricos e nacionais para fins de convívio quer na atividade de restaurante quer de bar.

As respostas foram cordeais, mas com a expressão facial de quem respondia a uma pergunta sem grande sentido.

Mas a resposta foi simples: “Nós gostamos dos nossos monumentos, mas mante-los tem um custo elevado. Os restaurantes usam o espaço ao mesmo tempo que fazem a manutenção necessária para a preservação do monumento…”

 

 

Devo dizer que fui muito bem-recebido, no que toca às refeições e salvaguardando gostos alimentares, fui muito bem servido, e tive a oportunidade de conhecer um pouco mais da historia quer dos monumentos quer daquelas regiões.

Ao mesmo tempo, em Portugal, e ainda por arrasto da polemica que se criou com o jantar da web summit no Panteão Nacional, regulamenta-se, castrando-se a possibilidade de atividades que os mais conservadores possam tomar por ofensivas à memória e à história.

Devo dizer que esta é uma mentalidade efetivamente conservadora, nada moderna, que promove ou tenta promover o nacionalismo, usando a mesma estratégia do Estado Novo, que é valer-se das memórias em vez de continuar a criar memórias positivas futuras.

 

 

É obvio que ninguém quer perder a historia e os monumentos que ajudam a recordar a nossa historia.

É obvio que algo com tanta idade, carece de muita manutenção e manutenção especialidade.

É obvio que este tipo de manutenção tem um custo elevado e quanto mais rica a história, mais espaço que carecem de manutenção.

É obvio que não vivemos num país de poços de petróleo nem de minas de ouro ou de outro tipo de riqueza extraordinária e tudo o que minimize os custos do Estado, é ou deveria ser bem-vindo.

É obvio que tudo o que se possa fazer, carece de alguma regulamentação e a criação de cópias das peças para expor em locais de acesso publico. Tirando isso a única hipótese de faltar ao respeito da memoria dos heróis passados é esquece-los.

Portugal não perderá a memória porque um palácio é usado sem ser como museu. A memória não se perde porque um turista jantou ou almoçou num castelo. A única coisa que se perde é uma fonte de receita e por uma suposta ou pretensa defesa de heróis do passado, consomem-se recursos que podem e devem ajudar os que ainda estão vivos, ainda que não sejam heróis nacionais. 

Alem disso e mais uma forma de contar Portugal a quem nos visita, não pelas praias, não pelos preços baixos, mas para descobrir de onde vimos, o que fizemos, como aqui chegámos e onde tencionamos ir. 

 

Como disse, estive nestes espaços à noite e as fotos não ficaram brilhantes pelo que deixo o link do TripAdvisor para que possam ver um pouco do que eu vi.

 

Castelo das Sombras

Palácio de Hohenems

2 comentários

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    João Massena 25.03.2018 18:49

    Isabel, se Camões porventura regressasse à vida em 2018, acha que ele nos entenderia?
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